O que o sertão faz com a gente

O que o sertão faz com a gente?! Transforma!

“O sertão te transforma”, afirma psiquiatra que tem dedicado tempos de seu trabalho e conhecimento para atuar e servir no sertão em prol de transformações efetivas de vida!

A Dra. Graziela Ribeiro fala sobre sua experiência servindo no sertão, nas edições do Impacto Sertão Livre onde tem se deparado com inumeras situações de negligência, desolação, abandono e também de restauração, cura e milagres.

Confira nesta matéria em que ela fala um pouco do que viveu e tem vivido no sertão e seja motivado a buscar profundidade, edificação e novas experiências de amor, graça e solidariedade!

 

Mudança no Olhar

A psiquiatra, Dra Graziela Ribeiro, fala um  pouco sobre a sua experiência ao conhecer o sertão do Piauí e como isso mudou sua forma de viver

Vivemos em um mundo acelerado. Corremos o tempo todo. Parece que as horas voam e não há tempo suficiente para aquilo que é necessário no nosso dia-a-dia. Não temos mais tempo para as pequenas coisas, para os pequenos prazeres. Só pensando no futuro, não prestamos atenção devida ao nosso redor, à nossa família. Não conhecemos mais os nossos vizinhos. Encontramos conhecidos, e até amigos na rua e disparamos um automático ‘tudo bem?’. Mas não temos tempo de ouvir de verdade. Não temos tempo.

E quantas pessoas ao redor precisam de uma migalha de nós? Um abraço, um sorriso, um conselho. Tantas decisões erradas seriam evitadas. Quantas vidas seriam poupadas.

Há 4 anos conheci o sertão do Piauí. Uma terra árida, pedregosa, com grandes necessidades básicas, desde água até alimentação no mínimo próxima do essencial. Com o céu mais lindo que já vi… Um povo até hospitaleiro, mas esquecido. As expressões deles são enrijecidas. Até para localizar a dor eles encontram dificuldade para identificar e expressar. Um povo sofrido, carente de atenção política, social, onde pseudoculturas ainda existem (como a do abuso, por exemplo).

Só que o sertão me ensinou a equalizar o meu tempo. Tanto pelo choque de realidade com que me deparei, que me trouxe uma ressaca moral indescritível, quanto por algumas pessoas que conheci por lá. Pessoas lindas, jovens, determinadas a amar e a ouvir. Alguns deles nasceram sabendo que iriam para lá. Outros, já estabilizados em suas carreiras, engenheiros, bancários, professores, dentistas, músicos, ouviram a inquietude de seu coração, largaram tudo e foram para lá abraçar.

Eles trabalham em várias frentes: misturam-se à cultura local, alfabetizam, fazem reforço escolar, fornecem pelo menos uma refeição diária balanceada às crianças, ensinam música, dança, esportes, além de amor e valores éticos e morais essenciais à uma sociedade já tão fragilizada e deturpada. Ensinam sobre como Jesus gostaria que o mundo fosse, não só por meio de palavras, mas sendo quem eles são.

Eles apostam nas crianças, Investem em suas vidas para que, quando crescerem, sejam líderes melhores, profissionais melhores, e façam daquela região um lugar diferente. Os missionários do sertão do Piauí mudaram minha cosmovisão, que era muito restrita, e me ensinaram a me preocupar com coisas que realmente importam e, principalmente, com pessoas além do meu próprio umbigo.